Uma operação coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública fiscalizou 241 estabelecimentos comerciais em 15 estados brasileiros entre 15 e 18 de setembro de 2026. A ação, chamada de Operação Última Chamada, teve como foco o combate à comercialização de celulares roubados ou furtados e a identificação de irregularidades na origem e na documentação dos aparelhos.
Até a divulgação dos resultados, os agentes haviam recuperado 783 celulares e realizado 14 prisões em flagrante. Ao todo, participaram 403 policiais, além de equipes da Secretaria Nacional de Segurança Pública, da Receita Federal, de receitas estaduais, dos Procons e de forças policiais. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O resultado chama atenção de consumidores que buscam aparelhos usados em lojas, marketplaces, redes sociais ou negociações diretas. Além do risco de adquirir um telefone com registro de roubo, furto ou extravio, a compra sem documentação pode dificultar a comprovação da origem do produto e a resolução de problemas posteriores.
Operação usou informações de usuários notificados
De acordo com o Ministério da Justiça, essa etapa da operação aproveitou informações obtidas a partir das respostas de usuários notificados sobre celulares identificados como produtos de crime. A estratégia orientou a fiscalização de estabelecimentos que poderiam estar envolvidos na comercialização irregular desses aparelhos.
A ação ocorreu depois de uma primeira fase realizada em agosto. Na ocasião, foram fiscalizados 601 estabelecimentos, recuperados 9.989 celulares e efetuadas 396 prisões em flagrante, segundo os dados apresentados pelo órgão. A nova etapa manteve o foco na interrupção da circulação de dispositivos com restrições e na responsabilização de envolvidos.
O balanço da operação também mencionou uma medida anunciada pela Receita Federal: a exigência do número do IMEI nas notas fiscais. O identificador permite relacionar a documentação ao dispositivo adquirido e amplia as possibilidades de controle sobre a circulação dos celulares. Por isso, exigir a nota fiscal e conferir as informações antes do pagamento são medidas relevantes para uma compra segura de celular usado.
Como consultar o IMEI antes de comprar
O IMEI é o número de identificação do aparelho celular. Ele pode ser encontrado na caixa do produto, na nota fiscal ou consultado diretamente no telefone por meio do comando *#06#. Em modelos com suporte a mais de um chip, o consumidor deve verificar todos os números de IMEI, conforme orientação do Ministério da Justiça.
A consulta pode ser feita gratuitamente no Celular Seguro, serviço que permite verificar se há registro de roubo, furto ou extravio associado ao aparelho. A consulta específica de dispositivos com restrição está disponível na página de celulares com restrição.
O procedimento deve ser realizado antes de concluir a compra, especialmente quando o aparelho é oferecido por um vendedor desconhecido ou por meio de uma plataforma digital. Se houver divergência entre o número exibido na tela, o que aparece na caixa e o informado na nota fiscal, o consumidor deve interromper a negociação até esclarecer a situação.
Nota fiscal e certificação também exigem atenção
A consulta do IMEI é uma das etapas, mas não substitui a análise da documentação e da procedência. A Anatel orienta que o comprador confira se os números de IMEI coincidem e verifique a certificação do aparelho. A agência também alerta para o risco de falsificações e de notas fiscais fraudulentas.
Na prática, o consumidor deve observar se o vendedor fornece nota fiscal e se os dados do documento correspondem ao telefone negociado. Também é recomendável conferir o estado físico do dispositivo, testar suas funções básicas e preferir fornecedores que apresentem identificação e condições claras de venda. A ausência de documentação ou a resistência em permitir a consulta do IMEI são sinais para redobrar a cautela.
A operação realizada em setembro reforça que o preço abaixo do mercado não deve ser o único critério de decisão. Antes de comprar um celular usado, verificar a situação do IMEI, comparar os identificadores do aparelho e exigir documentação ajuda a reduzir o risco de prejuízo e de envolvimento involuntário com a aquisição de um produto irregular.
