O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) lançou, em 22 de setembro de 2026, a segunda edição do guia Internet, Eleições e Democracia. A publicação examina como a inteligência artificial generativa, as redes sociais e a estrutura das plataformas digitais podem afetar o processo eleitoral brasileiro, com atenção especial aos riscos para a integridade da informação.
De acordo com o CGI.br, o material amplia o debate para além da circulação de notícias falsas. A análise considera também os sistemas de recomendação, o perfilamento de usuários, o microdirecionamento, os modelos de negócio baseados em engajamento e os mecanismos que influenciam a distribuição e a amplificação de conteúdos no ambiente digital.
O que o novo guia do CGI.br analisa
A publicação aborda um cenário em que ferramentas de IA generativa conseguem produzir textos, imagens, áudios e vídeos cada vez mais realistas. Esse avanço modifica a comunicação política e publicitária porque torna mais simples criar e adaptar mensagens para diferentes públicos, ao mesmo tempo em que aumenta a dificuldade de identificar a origem e a natureza de determinados materiais.
Entre os pontos de atenção estão os chamados deepfakes, conteúdos audiovisuais sintéticos que podem simular pessoas, falas ou situações. O guia, segundo as informações divulgadas pelo CGI.br, propõe observar não apenas se uma mensagem é enganosa, mas também como ela é distribuída, segmentada e impulsionada pelas plataformas. A arquitetura tecnológica e econômica desses serviços passa, assim, a fazer parte da discussão sobre o ambiente eleitoral.
Como a IA generativa altera o ambiente informacional
A presença da IA generativa nas eleições pode afetar diferentes etapas da comunicação com o público. Conteúdos automatizados podem ser utilizados na produção de materiais, na personalização de mensagens e na criação de peças audiovisuais. Em um contexto eleitoral, porém, essas aplicações envolvem desafios adicionais relacionados à transparência, ao uso de dados e à distinção entre informação jornalística, opinião, publicidade e conteúdo sintético.
A Agência Brasil destacou que a inteligência artificial e os vídeos falsos passaram a ocupar o centro das preocupações sobre ameaças à democracia. A abordagem reforça a importância de analisar a combinação entre ferramentas de geração de conteúdo e redes de distribuição capazes de alcançar públicos específicos em grande escala.
O papel das plataformas, dos influenciadores e da publicidade política
O guia também inclui comunicadores e influenciadores no debate sobre a circulação de informações durante períodos eleitorais. Esses atores ocupam posições relevantes na formação de opiniões e na disseminação de conteúdos em redes sociais, especialmente quando suas mensagens são favorecidas por sistemas de recomendação ou alcançam comunidades com interesses específicos.
Para o mercado de comunicação, a discussão envolve agências, anunciantes, criadores de conteúdo, veículos e plataformas digitais. Recursos de inteligência artificial podem apoiar a produção e a personalização de campanhas, mas seu uso em disputas eleitorais exige atenção a práticas como segmentação excessivamente precisa, manipulação audiovisual e dificuldade de informar ao público quando um material foi produzido ou alterado por sistemas automatizados.
A influência dos algoritmos também aproxima o tema da publicidade digital. A visibilidade de uma mensagem não depende apenas de sua criação, mas das regras que determinam quem será exposto a ela, em que momento e com qual frequência. Por isso, compreender o funcionamento das plataformas é parte essencial da avaliação dos riscos associados à IA generativa nas eleições.
Por que o tema interessa ao mercado de comunicação
Além de apresentar riscos, o guia reúne orientações destinadas a cidadãos, comunicadores, legisladores e formuladores de políticas públicas. A proposta é oferecer referências para fortalecer a integridade da informação e apoiar decisões institucionais durante o processo eleitoral, considerando as características técnicas e econômicas das plataformas digitais.
Essa abordagem amplia o debate regulatório. Em vez de concentrar a resposta apenas na remoção pontual de conteúdos, o material incentiva a análise de fatores como recomendação algorítmica, perfilamento, microdirecionamento e modelos de engajamento. Esses elementos influenciam o alcance das mensagens e ajudam a explicar por que determinados conteúdos ganham visibilidade em períodos de maior disputa política.
O lançamento do CGI.br ocorre em um momento de transformação acelerada na produção e no consumo de informação. Para empresas de comunicação, publicidade e marketing de influência, acompanhar esse cenário significa discutir transparência, responsabilidade e confiança sem perder de vista as oportunidades trazidas pelas novas ferramentas. Para o público, significa desenvolver condições para reconhecer conteúdos manipulados e compreender como as plataformas participam da formação do ambiente informacional.
