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Dia dos Pais deve movimentar R$ 4,45 bilhões nos shoppings: o que a projeção revela sobre o consumo brasileiro

Leo Voralen
Leo Voralen 1 de setembro de 2026
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Dia dos Pais deve movimentar R$ 4,45 bilhões nos shoppings: o que a projeção revela sobre o consumo brasileiro
Dia dos Pais deve movimentar R$ 4,45 bilhões nos shoppings: o que a projeção revela sobre o consumo brasileiro
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Pesquisa da Abrasce aponta crescimento moderado nas vendas e mostra como o consumidor está combinando compras, lazer e controle do orçamento.

O Dia dos Pais começa a movimentar o varejo brasileiro com uma projeção de R$ 4,45 bilhões em vendas nos shopping centers entre 31 de julho e 9 de agosto. A estimativa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) representa alta de 1,3% sobre o mesmo período de 2025, enquanto o tíquete médio esperado chega a R$ 218,26. O levantamento foi realizado entre 20 e 28 de julho com empreendimentos de diferentes regiões do país e mostra um cenário de crescimento, mas ainda marcado por cautela.

Contents
Pesquisa da Abrasce aponta crescimento moderado nas vendas e mostra como o consumidor está combinando compras, lazer e controle do orçamento.Por que o Dia dos Pais deve movimentar bilhões mesmo com consumo mais cautelosoCalçados lideram procura e mostram quais presentes podem ter maior variedade de preçosShopping deixa de ser apenas lugar para comprar e passa a disputar o tempo do consumidor

Para o consumidor, a notícia interessa menos pelo tamanho do faturamento do setor e mais pelo que ela indica sobre preços, categorias procuradas e estratégias promocionais. Afinal, saber onde existe maior concorrência e quais produtos estão em destaque pode ajudar a encontrar ofertas melhores. Em um momento no qual o orçamento doméstico continua exigindo planejamento, a data também reforça a importância de comparar preços antes de comprar.

Por que o Dia dos Pais deve movimentar bilhões mesmo com consumo mais cauteloso

A projeção da Abrasce mostra que os shopping centers continuam ocupando um espaço importante nas decisões de compra dos brasileiros, mas o crescimento previsto é relativamente moderado. A expectativa de alta de 1,3% nas vendas acompanha praticamente o mesmo avanço projetado para o tíquete médio, que deve passar de R$ 215,39 em 2025 para R$ 218,26 em 2026. Ao mesmo tempo, 76% dos shopping centers consultados afirmaram estar otimistas com a data e 74% esperam vender mais do que no ano anterior.

Esse comportamento combina com um consumidor que continua comprando, mas procura fazer escolhas mais calculadas. Dados recentes da FGV mostram que a confiança do consumidor recuou 0,4 ponto em julho, para 88,3 pontos, enquanto o índice de situação atual caiu 2,6 pontos. A diferença entre as faixas de renda também chama atenção: consumidores com renda de até R$ 2.100 tiveram queda de 10,5 pontos no indicador, enquanto aqueles com renda entre R$ 4.800 e R$ 9.600 registraram avanço de 5,9 pontos.

Na prática, isso significa que a data comemorativa pode gerar movimento sem necessariamente provocar uma corrida generalizada por produtos caros. Para quem pretende presentear, o melhor caminho é definir previamente quanto pode gastar e pesquisar alternativas dentro desse limite. A existência de muitas lojas no mesmo espaço também pode favorecer a comparação, principalmente em categorias com grande variedade de marcas e preços.

O cenário econômico reforça essa necessidade de planejamento. O IPCA de julho registrou alta de 0,07%, acumulando 3,44% no ano e 4,44% em 12 meses, enquanto alguns grupos tiveram movimentos bastante diferentes entre si. Isso mostra por que o consumidor não deve avaliar apenas a inflação média ao decidir uma compra, mas observar especificamente a categoria do produto que pretende adquirir.

Calçados lideram procura e mostram quais presentes podem ter maior variedade de preços

Entre as categorias pesquisadas pela Abrasce para o Dia dos Pais, os calçados aparecem na liderança, citados por 84% dos shopping centers participantes. Na sequência estão vestuário, com 78%, artigos esportivos, com 74%, perfumaria e cosméticos, com 70%, e relógios e acessórios, com 64%. A lista é relevante para quem ainda não decidiu o presente porque concentra segmentos com ampla oferta de produtos, diferentes faixas de preço e possibilidade de encontrar promoções em lojas físicas e canais digitais.

Para o consumidor, porém, uma categoria estar em alta não significa automaticamente que determinado produto esteja barato. Quanto maior a procura, maior pode ser a concentração de campanhas publicitárias e ofertas direcionadas para aquele segmento, o que torna especialmente importante verificar o preço final. Uma promoção com desconto percentual elevado pode continuar sendo menos vantajosa que outra loja que simplesmente mantenha um preço menor sem utilizar uma grande campanha promocional.

A comparação também deve considerar características do produto. Em calçados, por exemplo, tamanho, material, política de troca e disponibilidade podem ser tão importantes quanto o preço; em roupas, composição e modelagem merecem atenção; já em perfumes e cosméticos, procedência e vendedor são fatores essenciais. O consumidor deve guardar comprovantes e observar as condições apresentadas pela loja, especialmente quando a compra envolve presentes e existe possibilidade de troca.

Outro ponto interessante da pesquisa é a mudança na estratégia promocional dos shoppings. A modalidade “compre e ganhe” foi citada por 37% dos empreendimentos, contra 27% no ano anterior, enquanto “ganhe e concorra” aparece em 21% e sorteios em 11%. Isso demonstra que os estabelecimentos estão tentando oferecer benefícios imediatos ou experiências adicionais para estimular a decisão de compra.

Para o consumidor, a recomendação é calcular o benefício real dessas ações. Um brinde ou vantagem pode ser interessante quando não altera negativamente o preço do produto, mas não deve justificar uma compra que estava fora do orçamento. Antes de aceitar uma promoção, vale comparar o preço do item com outras lojas e verificar se as regras da campanha estão claramente informadas.

Shopping deixa de ser apenas lugar para comprar e passa a disputar o tempo do consumidor

A pesquisa da Abrasce também revela uma transformação importante no varejo físico: a visita ao shopping está cada vez mais relacionada a uma experiência completa, e não somente à compra de produtos. O levantamento prevê crescimento no fluxo de visitantes e destaca a combinação entre lojas, gastronomia, entretenimento e serviços como um dos fatores que sustentam a atratividade dos empreendimentos. Essa estratégia é especialmente relevante em períodos comemorativos, quando famílias podem transformar a ida ao shopping em um programa de lazer.

Para o consumidor, essa mudança pode ser positiva porque permite resolver diferentes necessidades em uma mesma visita. É possível pesquisar um presente, fazer uma refeição, aproveitar uma atividade de entretenimento e comparar produtos presencialmente antes de decidir. Por outro lado, permanecer mais tempo em um ambiente de consumo também aumenta a exposição a vitrines, promoções e compras por impulso, tornando ainda mais importante estabelecer um orçamento antes de sair de casa.

A integração entre loja física e internet também muda a jornada de compra. O consumidor pode pesquisar um produto no celular, conferir avaliações, verificar preços em marketplaces e depois visitar uma loja para experimentar ou conferir o item pessoalmente. Da mesma forma, pode conhecer uma oferta no shopping e finalizar a compra pelo site, dependendo das condições disponíveis. Essa lógica omnichannel reduz a diferença entre comprar online e offline e aumenta o poder de comparação do consumidor.

O cenário é particularmente importante diante do avanço das compras digitais e das mudanças no varejo. O Fórum E-Commerce Brasil 2026, realizado em São Paulo entre 28 e 30 de julho, reuniu o setor para discutir temas como integração operacional, tecnologia e experiência de compra. Um dos pontos destacados foi justamente a importância de cumprir prazos e oferecer facilidade no pós-venda, mostrando que a experiência do consumidor não termina quando o pagamento é aprovado.

Para quem vai comprar o presente do Dia dos Pais, a melhor estratégia é aproveitar justamente essa integração. Pesquisar online antes de ir ao shopping ajuda a estabelecer uma referência de preço; visitar a loja pode permitir avaliar qualidade, tamanho e acabamento; e conferir diferentes canais antes de finalizar reduz a chance de pagar mais por impulso. O consumidor não precisa escolher entre shopping e internet: pode usar os dois ambientes de forma complementar para tomar uma decisão mais segura.

O Dia dos Pais de 2026 chega, portanto, com uma mensagem clara sobre o comportamento do consumidor brasileiro: existe espaço para comprar, mas o orçamento continua sendo observado de perto. A projeção de R$ 4,45 bilhões mostra a força da data, enquanto o crescimento moderado de 1,3% revela que o varejo não pode contar apenas com aumento do gasto por pessoa.

Para quem pretende presentear, o momento favorece uma estratégia simples: pesquisar antecipadamente, comparar preços, conferir políticas de troca e avaliar o custo total da compra. As categorias mais procuradas, como calçados, roupas, artigos esportivos, perfumes e acessórios, oferecem grande variedade, mas também exigem atenção às diferenças entre marcas e lojas. Aproveitar promoções pode ser vantajoso, desde que o desconto seja real e esteja dentro do orçamento. Em um varejo cada vez mais integrado, usar internet e lojas físicas em conjunto pode ser a melhor forma de comprar bem.

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