Setor de shoppings registra faturamento histórico de R$ 201 bilhões e aposta na expansão para fora das capitais, segundo a Abrasce.
Quem caminha por um shopping center hoje provavelmente se pergunta se esses espaços ainda fazem sentido num país onde o comércio eletrônico cresce ano após ano. Os números mais recentes da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) respondem essa dúvida com um dado difícil de ignorar: o Brasil deve abrir 11 novos empreendimentos do tipo até o fim de 2026, em um movimento que reforça a força do setor mesmo diante da concorrência digital. Atualmente o país conta com 658 shoppings distribuídos por 253 cidades, e o faturamento de 2025 ultrapassou, pela primeira vez, a marca dos R$ 200 bilhões. Esses números ajudam a entender por que o consumidor brasileiro continua escolhendo os corredores físicos, mesmo com o avanço das compras online, e por que cidades médias estão recebendo cada vez mais atenção dos investidores do setor.
Por que os shoppings continuam crescendo mesmo com o avanço do e-commerce
A resposta passa por uma mudança de papel desses espaços. Os shoppings deixaram de ser apenas pontos de venda e se tornaram, segundo a própria Abrasce, verdadeiros centros de convivência urbana. Mais de 471 milhões de visitantes circulam mensalmente por esses empreendimentos no Brasil, número que reflete uma combinação de compras, lazer, gastronomia e serviços dentro do mesmo espaço. Essa multifuncionalidade é um dos motivos que explica por que o faturamento do setor cresceu 1,2% em relação a 2024, mesmo em um cenário de juros elevados e cautela no consumo.
Outro ponto que chama atenção é a distribuição geográfica dos novos projetos. Dos 11 empreendimentos previstos, seis estão concentrados na região Sudeste, que já responde por 57% do faturamento nacional do setor. Entre os destaques estão o Praça Pitiguari, em Atibaia, e o Boulevard Marília Shopping, ambos no interior de São Paulo. Minas Gerais também ganha força, com a inauguração do Shopping Cidade da Serra, em Lavras, do Espaço 356, em Belo Horizonte, e do NV Boulevard, em Uberlândia. Esse padrão confirma uma tendência que já vinha se desenhando nos últimos anos: mais da metade dos shoppings brasileiros está localizada fora das capitais, um sinal de que o varejo organizado amadureceu e passou a olhar com mais interesse para cidades de porte médio.
O que essa expansão revela sobre o comportamento do consumidor brasileiro
Um dado chama atenção especial nesse cenário: o Nordeste, apesar de não concentrar a maior parte dos novos investimentos, se destaca pela produtividade. O faturamento médio por shopping na região chega a R$ 350,4 milhões, valor 15% acima da média nacional de R$ 305,3 milhões. Fortaleza lidera esse movimento, com 13 shopping centers em operação, segundo o Censo Brasileiro de Shopping Centers 2024/2025. A capital cearense também tem unidades em municípios vizinhos, como Eusébio, Maracanaú e Caucaia, além de presença consolidada em cidades do interior, como Sobral e Juazeiro do Norte.
Essa produtividade nordestina ajuda a explicar por que outras regiões também receberão novos empreendimentos. Sergipe ganhará o Shopping Praia Sul, em Aracaju, e o Centrosul Shopping, em Lagarto. O Distrito Federal vai receber o Partage Brasília, enquanto a Bahia ganha o Shopping Parque Oeste, em Luís Eduardo Magalhães, município reconhecido como polo do agronegócio. No Sul do país, Londrina será a cidade escolhida para o Norte Paraná Prime Outlet. Para o consumidor, esse movimento significa mais opções de compra, lazer e emprego em regiões que antes dependiam exclusivamente das capitais para esse tipo de serviço.
O que esperar do setor de shoppings nos próximos meses
Olhando para frente, a tendência é que o setor continue equilibrando expansão física com investimentos em experiência do cliente. Os próprios dados da Abrasce mostram que o shopping deixou de competir apenas com outras lojas e passou a disputar espaço com o tempo livre do consumidor, que hoje tem muitas opções de entretenimento, dentro e fora de casa. Por isso, a aposta em gastronomia, serviços e eventos dentro dos empreendimentos deve seguir como prioridade das administradoras ao longo de 2026.
Vale lembrar que esse crescimento não é isolado. Ele acompanha um movimento mais amplo de recuperação do varejo físico brasileiro, que tem conseguido se reinventar diante da concorrência digital sem perder relevância. A expectativa do setor é que a geração de empregos diretos e indiretos ligada às novas inaugurações ajude a dinamizar as economias locais, especialmente nas cidades médias que vêm recebendo a maior parte dos novos projetos. Para quem acompanha o mercado de consumo no Brasil, os próximos meses devem confirmar se essa expansão se sustenta no longo prazo.
Os números divulgados pela Abrasce deixam claro que o shopping center brasileiro está vivendo um novo ciclo de maturidade, e não de retração, como muitos imaginavam diante do crescimento do comércio eletrônico. A combinação entre faturamento recorde, interiorização dos investimentos e diversificação de serviços mostra que esses espaços conseguiram se adaptar ao consumidor atual, que busca praticidade sem abrir mão da experiência presencial. Para os próximos anos, a expectativa é que esse equilíbrio entre digital e físico continue moldando a forma como os brasileiros compram, se divertem e socializam dentro dos shopping centers do país.
Fontes consultadas:
https://istoedinheiro.com.br/brasil-tem-658-shoppings-e-deve-ganhar-11-novos-em-2026-veja-locais
https://www.gazetasp.com.br/economia/brasil-tera-11-novos-shopping-centers-ate-o-final-de-2026/1172873/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
