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Por que o consórcio não cobra juros como um financiamento? Entenda com Tiago Oliva Schietti

Diego Velázquez
Diego Velázquez 24 de julho de 2026
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Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti
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Comparar consórcio e financiamento pela taxa de juros é um erro comum, porque o consórcio, tecnicamente, não cobra juros no sentido bancário do termo. O empresário Tiago Oliva Schietti costuma explicar essa diferença para quem está decidindo entre as duas formas de acesso a um bem de maior valor. Essa confusão nasce de uma comparação natural: ambos envolvem parcelas mensais e um bem no final do processo. Mas a engenharia financeira por trás de cada modelo é distinta, e entender essa diferença explica por que o custo total costuma ser menor no consórcio, mesmo quando a parcela mensal parece, à primeira vista, semelhante à de um financiamento equivalente.

Contents
A lógica de custo por trás do financiamento bancárioO que substitui os juros dentro da estrutura do consórcio?Por que o custo total tende a ficar mais baixo no consórcio?O peso do prazo de contemplação nessa comparaçãoO processo de escolher o melhor consórcio 

A lógica de custo por trás do financiamento bancário

No financiamento, um banco empresta o valor total do bem no momento da contratação e cobra juros sobre esse capital emprestado, distribuídos ao longo do tempo. Esses juros remuneram o banco pelo risco de emprestar dinheiro que ele mesmo não tinha disponível para aquela pessoa específica, além do custo de captação da instituição, que precisa buscar recursos no mercado para sustentar suas operações de crédito.

Esse modelo entrega o bem de forma imediata, mas, em troca, cobra uma remuneração sobre cada real emprestado, mês após mês, até a quitação total da dívida. Quanto maior o prazo escolhido, maior tende a ser o peso dos juros no valor final pago, um efeito que se acentua ainda mais em cenários de taxa básica elevada.

O que substitui os juros dentro da estrutura do consórcio?

No consórcio, não existe empréstimo individual. Um grupo de pessoas contribui mensalmente para um fundo comum, e esse fundo financia a compra do bem de quem é contemplado a cada período. Em vez de juros, o consorciado paga uma taxa de administração, que remunera a empresa responsável por organizar o grupo, gerir o fundo e garantir o cumprimento das regras. Essa taxa costuma representar uma fração bem menor do valor total do que os juros de um financiamento equivalente, porque ela não precisa cobrir o custo de captação de dinheiro que o banco enfrenta ao emprestar capital próprio ou de terceiros.

Além da taxa de administração, geralmente existe também o fundo de reserva, um valor menor destinado a cobrir eventuais inadimplências dentro do grupo, protegendo a capacidade do fundo comum de continuar contemplando os demais participantes mesmo quando alguém deixa de pagar. Para Tiago Oliva Schietti, esse mecanismo funciona como uma espécie de colchão coletivo, distribuindo o risco de inadimplência entre todos, em vez de concentrá-lo em uma única instituição financeira, como ocorre no crédito bancário tradicional.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Por que o custo total tende a ficar mais baixo no consórcio?

O consorciado paga por um serviço de organização e gestão de um grupo, e não por juros sobre capital emprestado. Ao remover o componente de remuneração do dinheiro adiantado, típico do crédito bancário, a estrutura de custo do consórcio se torna naturalmente mais enxuta ao longo do prazo contratado. O empresário Tiago Oliva Schietti observa que essa diferença de estrutura é frequentemente ignorada por quem compara apenas o valor da parcela mensal, sem considerar o mecanismo que gera esse valor. Duas parcelas parecidas em número podem esconder lógicas de custo completamente distintas: uma remunera capital emprestado, a outra remunera apenas a gestão de um grupo, sem envolver o mesmo tipo de spread bancário embutido no financiamento.

Uma dúvida recorrente aparece justamente aqui: o consórcio é sempre mais barato que o financiamento? Não necessariamente em todos os casos, mas na maior parte das comparações diretas, sim, principalmente quando o consorciado não tem urgência para receber o bem. Quanto menor a pressa, maior tende a ser a vantagem financeira de optar pelo consórcio em vez do crédito bancário tradicional.

O peso do prazo de contemplação nessa comparação

A ausência de juros bancários costuma pesar mais do que a incerteza do prazo de contemplação, especialmente em cenários de juros altos, quando o financiamento se torna proporcionalmente mais caro e o consórcio mantém sua estrutura de custo relativamente estável. Existe, porém, uma variável que o consorciado precisa considerar: o tempo até a contemplação não é garantido, e essa espera tem um custo de oportunidade que o financiamento não impõe, já que este entrega o bem de imediato.

Esse custo de oportunidade se manifesta de formas distintas conforme o bem desejado. Para quem busca um veículo para uso pessoal cotidiano, a espera pode representar meses convivendo com um carro mais antigo ou dependendo de transporte alternativo. Para quem planeja um imóvel de médio prazo, a mesma espera costuma pesar menos, já que o momento da mudança já era planejado com alguma flexibilidade desde o início.

Avaliar essa troca entre custo menor e prazo incerto é o que realmente separa uma boa decisão de uma decisão precipitada. Segundo Tiago Oliva Schietti, quem valoriza previsibilidade de prazo tende a se inclinar para o financiamento, mesmo pagando mais caro ao final, enquanto quem prioriza o custo total tende a considerar o consórcio uma alternativa mais racional, desde que consiga conviver com a incerteza da data de contemplação.

O processo de escolher o melhor consórcio 

Entender a origem dos custos de cada modelo, e não apenas comparar números finais, é o que permite escolher com mais segurança entre esperar por um grupo de consórcio ou assumir os juros de um financiamento imediato. Essa decisão, no fim, depende menos de qual produto é objetivamente melhor e mais de qual estrutura de custo e prazo se encaixa na realidade financeira e na urgência de cada pessoa, explica Tiago Oliva Schietti.

Vale ainda considerar que essas duas lógicas não são necessariamente excludentes ao longo da vida financeira de alguém. Uma mesma pessoa pode recorrer ao financiamento em um momento de urgência real, quando o bem precisa ser adquirido de imediato, e optar pelo consórcio em outro momento, quando o planejamento permite maior flexibilidade de prazo. Reconhecer que cada modelo resolve um tipo diferente de necessidade evita a armadilha de tratar consórcio e financiamento como concorrentes diretos em toda e qualquer situação, quando, na prática, eles atendem a lógicas de consumo distintas.

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