O engenheiro Felipe Schroeder dos Anjos costuma lembrar que a transição energética brasileira não se resume a painéis solares e turbinas eólicas, já que outras fontes renováveis, como biomassa e biogás, também têm papel relevante na diversificação da matriz nacional, especialmente em regiões onde essas alternativas já são tecnicamente viáveis e economicamente atrativas para investidores e concessionárias locais.
A biomassa ainda é subestimada no debate energético
Resíduos agrícolas, como bagaço de cana e cascas de arroz, podem ser convertidos em energia elétrica ou térmica através de processos de combustão controlada, aproveitando um material que antes era descartado ou simplesmente queimado a céu aberto sem qualquer aproveitamento energético em muitas propriedades rurais do país, gerando poluição desnecessária.
A biomassa tem a vantagem de gerar energia de forma mais previsível do que fontes intermitentes como solar e eólica, já que, como expressa Felipe Schroeder dos Anjos, a disponibilidade da matéria-prima costuma ser mais estável ao longo do ano em regiões agrícolas produtivas e bem estabelecidas.
Pequenas centrais hidrelétricas ainda fazem sentido hoje
Empreendimentos de menor porte, com impacto ambiental reduzido em comparação a grandes usinas, continuam sendo viáveis em rios de médio porte, especialmente em regiões onde a infraestrutura de transmissão já está instalada e disponível para uso imediato pela concessionária local de energia elétrica.
O desafio dessas pequenas centrais está em equilibrar geração de energia com a manutenção do fluxo ecológico do rio, garantindo que espécies aquáticas locais não sejam prejudicadas pela obra construída ao longo do curso d’água principal da bacia hidrográfica onde o empreendimento está instalado, segundo Felipe Schroeder dos Anjos.
O biogás pode complementar a matriz elétrica das cidades?
Aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto geram gás metano que, quando captado corretamente, pode ser convertido em eletricidade ou combustível veicular, aproveitando um subproduto que antes era apenas liberado na atmosfera sem controle algum, contribuindo para o efeito estufa e o aquecimento global.

Ampliar essa prática exige investimento em infraestrutura de captação e purificação do gás, além de contratos de longo prazo que garantam previsibilidade de receita para quem opera a planta geradora dessa energia limpa e renovável ao longo dos anos.
Integração tecnológica de matrizes diversificadas
A coexistência de múltiplas fontes renováveis exige sistemas de gestão inteligente que coordenem a geração distribuída com a demanda em tempo real. Redes elétricas modernas utilizam sensores, automação e algoritmos preditivos para balancear a intermitência de fontes como solar e eólica com a estabilidade de biomassa e biogás, garantindo suprimento contínuo sem depender exclusivamente de reservas térmicas convencionais.
A digitalização do setor elétrico permite que concessionárias antecipem variações climáticas e ajustem a operação das plantas com horas de antecedência, otimizando o despacho de energia e reduzindo custos operacionais. Essa integração tecnológica transforma a diversificação da matriz de um desafio logístico em uma oportunidade de eficiência sistêmica.
Diversificar a matriz energética reduz riscos para o país
Depender excessivamente de uma única fonte renovável deixa o sistema elétrico vulnerável a variações climáticas, como períodos de seca prolongada ou baixa incidência de vento, que podem comprometer a geração em determinadas regiões do território nacional ao longo do ano, exigindo acionamento de usinas térmicas mais caras e poluentes.
Combinar solar, eólica, biomassa, biogás e pequenas centrais hidrelétricas cria um sistema mais resiliente, já que a queda de geração em uma fonte pode ser parcialmente compensada pelo desempenho das demais fontes disponíveis na matriz elétrica nacional em cada período do ano e região do país. Felipe Schroeder dos Anjos indica que essa complementaridade entre fontes renováveis é o que garante a estabilidade do suprimento energético, mesmo em condições climáticas adversas.
O custo dessas fontes alternativas já é competitivo no mercado
O custo de implantação de plantas de biomassa e biogás ainda costuma ser mais alto do que o de projetos solares e eólicos de grande escala, o que exige subsídios ou linhas de financiamento específicas para viabilizar novos empreendimentos no setor energético brasileiro.
No fim, Felipe Schroeder dos Anjos aponta que, à medida que a tecnologia avança e ganha escala de produção, esses custos tendem a cair, seguindo trajetória semelhante à observada nas últimas duas décadas com painéis solares fotovoltaicos no mercado brasileiro e mundial.
