Setor bate recorde de faturamento e mostra que operações dentro de centros comerciais rendem até quatro vezes mais que as de rua, segundo dados da ABF.
Quem pensa em abrir um negócio próprio hoje esbarra, cedo ou tarde, na mesma pergunta: vale mais a pena investir em uma loja de rua ou apostar em um quiosque dentro de um shopping center? Os números do primeiro semestre de 2026 ajudam a responder essa dúvida com clareza. O setor de franquias faturou 72,7 bilhões de reais apenas no primeiro trimestre do ano, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), mantendo o ritmo de crescimento de dois dígitos que já havia marcado 2025. Dentro desse universo, os quiosques e as operações instaladas em shopping centers chamam atenção por um motivo simples: o potencial de faturamento mensal. Enquanto uma franquia de rua costuma girar entre 40 mil e 80 mil reais por mês, uma unidade equivalente dentro de um shopping pode alcançar entre 150 mil e 300 mil reais, a depender da localização e da gestão do franqueado. Essa diferença não é acaso, e entender de onde ela vem é o primeiro passo para quem avalia esse tipo de investimento em 2026.
Quanto custa e quanto rende abrir um quiosque em shopping
O valor de entrada varia bastante conforme o segmento escolhido. Operações mais simples, como as de acessórios ou doces, funcionam com faturamento bruto mensal entre 40 mil e 80 mil reais em shoppings de fluxo moderado. Já quiosques de médio e alto padrão, principalmente nos segmentos de alimentação (sorvetes, açaí, café) e cosméticos, posicionados em corredores de maior movimento, podem faturar entre 90 mil e mais de 250 mil reais por mês. A lucratividade líquida desses negócios, ou seja, o que sobra para o franqueado depois de pagar custos, impostos e taxas, fica geralmente entre 12% e 20% do faturamento bruto. Isso significa que um quiosque que fatura 100 mil reais mensais pode gerar um lucro líquido de 12 mil a 20 mil reais para quem administra a operação.
Redes como a Acium, maior fabricante de joias em aço do mundo segundo a própria ABF, ilustram bem esse modelo. A marca opera com quiosques em shoppings, oferece produtos personalizados com gravação a laser e exige investimento inicial a partir de 210 mil reais, com faturamento médio mensal em torno de 70 mil reais e retorno estimado entre sete e catorze meses. Outros formatos consolidados, como a Colchões Ortobom, também mantêm presença dupla em ruas e shoppings, com investimento calculado por metro quadrado de loja. O ponto em comum entre essas redes é a exigência de sintonia fina com a franqueadora: o espaço reduzido de um quiosque limita o estoque disponível, o que obriga o franqueado a dominar a sazonalidade e a margem de cada produto vendido, já que não há uma variedade grande de itens para compensar eventuais falhas de reposição.
O que explica o crescimento das franquias dentro dos shoppings brasileiros
O avanço desse modelo de negócio acompanha um cenário macroeconômico que, embora ainda desafiador, mostra sinais de estabilização. O IPCA está projetado em 5,33% para 2026, segundo o Boletim Focus do Banco Central, número que se mantém estável há semanas depois de quinze meses seguidos de alta. Preços mais previsíveis facilitam o cálculo de custos operacionais e reajustes de contrato, fatores que pesam diretamente na decisão de abrir uma unidade franqueada. O mercado de trabalho reforça esse quadro: o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra que o Brasil abriu 767.326 novos postos formais entre janeiro e maio de 2026, com saldo positivo em todos os estados, o que sustenta o poder de compra do consumidor que frequenta shoppings.
Do lado da oferta, os shopping centers já respondem por 17,3% de todas as operações de franquias em atividade no país, atrás apenas das lojas de rua, que concentram 60% das unidades. A Associação Brasileira de Franchising projeta um crescimento entre 8% e 10% para o setor ao longo de 2026, impulsionado especialmente por segmentos ligados a alimentação, beleza, bem-estar e consumo essencial, áreas com forte presença dentro dos corredores dos shoppings. As microfranquias, formato que exige menor aporte inicial e muitas vezes dispensa funcionário fixo, cresceram 17% no período mais recente, ampliando o leque de opções para quem tem menos capital disponível, mas ainda assim quer estar presente no ambiente de um centro comercial.
Como decidir entre investir em um quiosque ou em uma loja de rua
A resposta para essa dúvida depende menos de qual formato é “melhor” em termos absolutos e mais do perfil do investidor. Quem dispõe de capital mais alto e busca fluxo intenso de pessoas encontra no shopping um ambiente já filtrado por um público com poder de compra definido, o que costuma justificar o investimento inicial mais elevado e os aluguéis proporcionalmente maiores. Já quem prefere um ponto de entrada mais barato, ou está testando um primeiro negócio, tende a achar nas lojas de rua ou nos modelos home based uma porta menos arriscada, ainda que com teto de faturamento mais baixo.
Especialistas do setor costumam recomendar que o candidato a franqueado compare não apenas o valor do investimento inicial, mas também o prazo de retorno estimado por cada rede, item que varia de seis meses, em modelos mais simples, a até 36 meses em franquias de maior porte. Avaliar o contrato de locação do espaço no shopping também é essencial, já que esses acordos costumam incluir cláusulas específicas sobre taxa de performance e participação em campanhas do próprio centro comercial, custos que nem sempre aparecem no cálculo inicial feito pelo empreendedor.
O crescimento consistente do franchising dentro dos shoppings brasileiros mostra que o modelo deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ocupar espaço central nas decisões de quem quer empreender em 2026. Os números recentes indicam um setor que segue expandindo, mas que também exige mais preparo de quem decide entrar nele, já que o potencial de retorno mais alto vem acompanhado de um investimento inicial e de custos fixos igualmente maiores. Para o consumidor final, essa disputa por espaço nos corredores dos shoppings também se traduz em mais variedade e serviços dentro dos centros comerciais que ele frequenta todos os meses.
Fontes consultadas:
https://encontresuafranquia.com.br/franquias-2026-relatorio/
https://www.seudinheiro.com/2026/seu-negocio/cacau-show-burger-king-cvc-e-mais-9-franquias-famosas-veja-quanto-custa-abrir-uma-loja-das-maiores-redes-do-brasil-giov/
https://encontresuafranquia.com.br/quiosque-de-shopping-2026/
https://www.portaldofranchising.com.br/noticias/franquias-baratas-e-lucrativas-2026/
