Segundo Oluwatosin Tolulope Ajidahun, compreender as causas menos visíveis da infertilidade é essencial para um diagnóstico completo e preciso. Um dos fatores genéticos mais subestimados nesse contexto são as mutações mitocondriais, alterações no DNA das mitocôndrias que podem comprometer diretamente a qualidade dos óvulos e a viabilidade dos embriões.
As mitocôndrias são organelas responsáveis pela produção de energia celular, por meio da geração de ATP. Nos oócitos humanos, elas são particularmente numerosas, pois a divisão celular e o desenvolvimento embrionário inicial exigem altas quantidades de energia. Quando ocorrem mutações no DNA mitocondrial, esse processo energético pode ser prejudicado, resultando em falhas na fecundação, menor qualidade embrionária e até abortos espontâneos recorrentes.
A relação entre mitocôndrias e qualidade dos óvulos
De acordo com estudos recentes, a função mitocondrial é um dos principais marcadores da competência do oócito. Tosyn Lopes comenta que, com o avanço da idade, as mitocôndrias acumulam mutações, e isso contribui para a queda na fertilidade observada em mulheres acima dos 35 anos. Esse processo afeta não apenas a chance de conceber, mas também a saúde genética do embrião formado.

As células reprodutivas femininas são altamente dependentes da integridade mitocondrial, já que elas fornecem toda a carga mitocondrial ao embrião após a fecundação. Quando há mutações ou falhas no processo de geração de energia, o embrião pode apresentar desenvolvimento lento, fragmentação celular ou falha de implantação. Isso reforça a importância de estratégias que promovam a proteção mitocondrial desde a juventude, especialmente entre mulheres que planejam a maternidade tardiamente.
Fatores que contribuem para mutações mitocondriais
Oluwatosin Tolulope Ajidahun destaca que as mutações no DNA mitocondrial podem ser herdadas ou adquiridas ao longo da vida, influenciadas por fatores como envelhecimento, estresse oxidativo, exposição a toxinas ambientais, dieta inflamatória e sedentarismo. Mulheres que se expõem a altos níveis de poluentes, pesticidas ou que fazem uso crônico de medicamentos podem ter suas mitocôndrias danificadas, afetando diretamente sua fertilidade.
Ademais, hábitos como tabagismo, consumo excessivo de álcool e distúrbios metabólicos, como diabetes, também aceleram o acúmulo de danos mitocondriais. Isso ressalta a importância de uma abordagem preventiva e personalizada, considerando o histórico clínico e o estilo de vida da paciente. A conscientização sobre esses fatores ainda é baixa, e por isso campanhas educativas podem ter um papel importante na preservação da fertilidade feminina.
Avanços em diagnóstico e terapias mitocondriais
A medicina reprodutiva já começa a incorporar métodos de avaliação da função mitocondrial em tratamentos de fertilização in vitro. Tosyn Lopes aponta que novas técnicas laboratoriais estão sendo desenvolvidas para medir a atividade das mitocôndrias nos oócitos, auxiliando na seleção dos melhores gametas para fertilização.
Adicionalmente, estudos vêm investigando o uso de suplementos antioxidantes e coenzimas específicas, como a CoQ10, para melhorar a função mitocondrial nos ovários. Embora ainda haja controvérsias sobre a eficácia desses tratamentos, eles representam uma alternativa acessível e de baixo risco para pacientes com baixa reserva ovariana ou histórico de falhas repetidas em ciclos de FIV. Pesquisas com compostos nutracêuticos e terapias mitocondriais também ganham destaque como possíveis estratégias complementares.
Mutações mitocondriais e prevenção da infertilidade hereditária
Oluwatosin Tolulope Ajidahun ressalta que, em casos raros, mutações mitocondriais herdadas podem levar a doenças genéticas graves, que afetam não apenas a fertilidade, mas também a saúde dos descendentes. Por isso, a triagem genética mitocondrial pode ser indicada em famílias com histórico de alterações neuromusculares ou metabólicas.
Com o avanço das técnicas de reprodução assistida, como a transferência mitocondrial, em que o DNA mitocondrial de uma doadora saudável é inserido no óvulo da paciente, novas possibilidades terapêuticas vêm sendo testadas para mulheres portadoras de mutações mitocondriais. Essa abordagem ainda é experimental, mas pode se tornar uma solução viável no futuro. O desafio é transformar essas descobertas em protocolos seguros, acessíveis e amplamente disponíveis.
Autor: James Daves
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