Setor supera pela primeira vez a marca dos R$ 200 bilhões e prevê 11 novas inaugurações em 2026, mesmo com queda no fluxo de visitantes em parte dos empreendimentos.
O setor de shopping centers no Brasil fechou 2025 com um resultado que chamou atenção de analistas e investidores: pela primeira vez na história, o faturamento ultrapassou os R$ 200 bilhões, somando R$ 201 bilhões em vendas, uma alta de 1,2% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025-2026, elaborado pela Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), que neste ano completa 50 anos de atuação (fonte: https://miriangasparin.com.br/2026/02/setor-de-shopping-centers-supera-r-200-bilhoes-em-faturamento/).
O número chama atenção porque contraria uma percepção comum entre consumidores: a de que o comércio eletrônico estaria esvaziando os corredores dos shoppings. Entender como o setor consegue crescer em receita, mesmo diante da concorrência do online, é a principal dúvida que move este texto.
Por que o faturamento sobe mesmo com menos visitantes nos corredores?
A resposta está em uma mudança de comportamento que a Abrasce vem monitorando há anos. Segundo Glauco Humai, presidente da entidade, o tempo médio de permanência de um consumidor dentro de um shopping center passou de aproximadamente uma hora, há duas décadas, para 3 horas e 20 minutos atualmente (fonte: https://exame.com/revista-exame/os-super-shopping-centers/). Ou seja, mesmo com menos pessoas entrando pelas portas, cada visitante permanece mais tempo e gasta mais, o que ajuda a sustentar o faturamento total do setor.
Esse movimento também é resultado de um esforço estratégico dos administradores de shoppings, que passaram a investir pesado em gastronomia, entretenimento, saúde, bem-estar e serviços, criando motivos recorrentes para a visita. Um artigo publicado na Mercado&Consumo por Francisco José Ritondaro, ex-CEO da General Shopping & Outlets, resume essa transformação em cinco vetores de criação de valor, nos quais o shopping deixa de competir apenas pela metragem construída e passa a disputar espaço na rotina das pessoas (fonte: https://mercadoeconsumo.com.br/02/07/2026/artigos/nem-todo-shopping-sera-vencedor-na-proxima-decada/). Segundo o levantamento da Abrasce, o país soma hoje 658 shoppings distribuídos por 253 cidades, com o Sudeste respondendo por 57% do faturamento nacional, enquanto o Nordeste se destaca pela maior produtividade média por empreendimento (fonte: https://forbes.com.br/forbes-money/forbes-real-estate/2026/02/faturamento-de-shopping-centers-no-brasil-supera-r200-bi-pela-1a-vez/).
Onde estão as novas oportunidades: os 11 shoppings que chegam em 2026
Para este ano, a Abrasce projeta um crescimento adicional de 1,4% no setor, além da inauguração de 11 novos shoppings pelo país, sendo seis deles concentrados na região Sudeste. Entre os projetos confirmados estão o Praça Pitiguari, em Atibaia, e o Boulevard Marília Shopping, ambos reforçando a presença do setor no interior paulista. Minas Gerais também deve receber três novas unidades ao longo do ano (fonte: https://www.acritica.com/trends/11-novos-shoppings-centers-serao-inagurados-no-brasil-ainda-em-2026/).
Esse movimento de interiorização não é coincidência. Mais da metade dos shoppings brasileiros já está instalada fora das capitais, um sinal de que o modelo de negócio encontrou fôlego em cidades médias e polos regionais em expansão econômica. Para essas localidades, a chegada de um shopping costuma significar geração de empregos diretos, fortalecimento do comércio local e ampliação da oferta de lazer para a população, que antes precisava se deslocar até centros urbanos maiores para acessar determinadas marcas e serviços.
O que o consumidor pode esperar dos próximos meses
No curto prazo, campanhas promocionais seguem movimentando o fluxo dentro dos shoppings. Um exemplo é a Julho Black Brasil 2026, iniciativa que roda simultaneamente em unidades administradas pelo Grupo AD, com sorteios semanais de veículos elétricos para clientes que realizam compras nas lojas participantes (fonte: https://abrasce.com.br/espaco-do-associado/promocoes/shopping-rio-claro-participa-da-julho-black-brasil-2026/). Ações como essa mostram como os administradores seguem apostando em incentivos diretos para atrair o consumidor de volta às lojas físicas.
Ao mesmo tempo, o setor reconhece que os desafios não desapareceram. A própria Abrasce alerta que o avanço do comércio eletrônico e das apostas online pode pressionar o tráfego presencial neste ano, mesmo com o desemprego em baixa e a renda do trabalhador em recuperação (fonte: https://forbes.com.br/forbes-money/forbes-real-estate/2026/02/faturamento-de-shopping-centers-no-brasil-supera-r200-bi-pela-1a-vez/). Por isso, a expectativa entre especialistas é que os próximos anos aprofundem ainda mais a diferenciação entre empreendimentos que conseguem se reinventar e aqueles que permanecem presos a um modelo de consumo que já não corresponde ao comportamento do público atual.
O recorde de R$ 201 bilhões marca um momento simbólico para o setor, que celebra 50 anos de Abrasce e 60 anos de história do shopping center no Brasil. Mais do que um número, o dado reflete uma transformação estrutural na forma como o brasileiro consome, mistura lazer com compras e escolhe onde passar seu tempo livre. Para quem acompanha o mercado de perto, a pergunta que fica não é mais se os shoppings vão sobreviver à era digital, mas quais deles souberam se adaptar a tempo. Os próximos meses, com novas inaugurações e campanhas em andamento, devem mostrar com mais clareza essa divisão dentro do setor.
