Complexos como o Iran Mall e o Dubai Mall já não competem apenas por metragem: eles disputam a atenção de um consumidor que quer viver uma experiência, não só fazer compras.
Quem pesquisa qual é o maior shopping do mundo costuma se surpreender com a resposta. O título pertence hoje ao Iran Mall, em Teerã, com cerca de 1,95 milhão de metros quadrados de área construída, segundo levantamento do Portal Bras. O complexo reúne espaços culturais, áreas esportivas, centros de convenções e bibliotecas dentro do mesmo terreno, um formato que foge completamente da ideia tradicional de shopping como lugar apenas de lojas e praça de alimentação. Essa mudança de escala e de propósito não é exclusividade do Oriente Médio. Ela aparece também no Dubai Mall, com 1,1 milhão de metros quadrados e cerca de 1.200 lojas, que recebe mais de 80 milhões de visitantes por ano e integra atrações como um aquário gigante e uma pista de patinação olímpica, conforme reportagem do Diário da Região. O padrão que esses gigantes deixam claro é simples de resumir: o shopping do futuro se vende como destino, não apenas como ponto de venda, e isso já começa a influenciar como os empreendimentos brasileiros pensam seus próprios espaços.
Os gigantes da Ásia e do Oriente Médio e a lição do tamanho que não basta
A concentração dos maiores shoppings do planeta na Ásia e no Oriente Médio reflete o apetite dessas regiões por megaprojetos urbanos, capazes de misturar hotelaria, turismo e varejo em uma única estrutura. Segundo o Portal Bras, empreendimentos como o New Century Global Center, apelidado de “Great Mall of China”, somam cerca de 550 mil metros quadrados distribuídos em seis andares, com hotel integrado e centro de convenções. O Dubai Mall segue a mesma lógica ao aproveitar a proximidade com o Burj Khalifa para atrair um público internacional de luxo, oferecendo diretórios inteligentes que ajudam o visitante a se localizar entre as mais de mil lojas disponíveis.
Nem todo gigante, porém, vira sinônimo de sucesso. O South China Mall, em Dongguan, já foi um dos maiores shoppings do mundo em área locável, mas parte considerável de suas lojas permaneceu vazia por anos, segundo análise publicada pelo Central do Varejo. O empreendimento foi inspirado em cidades como Paris e Veneza, mas não encontrou demanda local compatível com o tamanho do projeto. O caso virou referência justamente por mostrar que dimensão física, sozinha, não garante fluxo de visitantes nem sustentabilidade financeira. Para o mercado brasileiro, esse histórico funciona como um alerta: antes de investir em expansão, gestores de shopping precisam entender se a região tem público e renda suficientes para sustentar a operação, algo que os grandes cases internacionais aprenderam, muitas vezes, da forma mais cara.
O que os shoppings internacionais estão testando para atrair o consumidor de 2026
O relatório anual da National Retail Federation (NRF), divulgado no início de 2026 e citado pela revista Exame, aponta uma mudança de comportamento que já se espalha pelos principais mercados do mundo. Diante do excesso de telas e interações digitais no dia a dia, ambientes imersivos de entretenimento, ativações de marca, cafés conceituais e eventos culturais passaram a ocupar espaço maior dentro dos shoppings, que se reposicionam como locais de encontro presencial. Esse movimento aparece de forma concreta em Lisboa, onde o Time Out Market reinventou o conceito tradicional de praça de alimentação ao reunir diferentes negócios gastronômicos em um único espaço de convivência, conforme descreve estudo da EJFGV.
Na América Latina, a escala segue crescendo mesmo com esse novo foco em experiência. O ranking mais recente de 2026, publicado pela Caracol Radio e reproduzido pela Revista Shopping Centers, aponta um megacomplexo no Panamá como o maior da região, com mais de 380 mil metros quadrados e cerca de 700 lojas organizadas em setores batizados com nomes de animais, tornando o local um ponto turístico para quem circula pelo Canal do Panamá. No Brasil, o Shopping Leste Aricanduva, em São Paulo, segue como o maior do país, com área bruta locável superior a 260 mil metros quadrados e mais de 500 lojas divididas em três núcleos, segundo dados do Central do Varejo. A diferença de escala entre os gigantes asiáticos e os brasileiros é grande, mas a direção da estratégia é a mesma: transformar o shopping em um espaço de lazer, gastronomia e cultura, não apenas em corredor de vitrines.
Por que essas tendências globais também importam para quem vai a um shopping no Brasil
Entender o que acontece nos maiores shoppings do mundo ajuda a explicar decisões que já aparecem nos empreendimentos brasileiros, da ampliação das áreas de lazer até a chegada de marcas internacionais em busca de visibilidade. Quando um shopping investe em cinema, parque temático ou centro médico dentro do próprio complexo, ele está seguindo o mesmo raciocínio adotado por complexos como o Dubai Mall: quanto mais motivos o visitante tiver para ficar, maior a chance de ele também consumir. Esse tipo de estratégia ganha ainda mais relevância em um momento de concorrência direta com o comércio eletrônico, que oferece conveniência, mas não reproduz a experiência de socializar em um espaço físico.
O consumidor que frequenta um shopping brasileiro hoje já percebe essas mudanças na prática, seja na variedade maior de opções gastronômicas, seja na presença de eventos culturais que antes não faziam parte da rotina desses espaços. Acompanhar o que os maiores centros de compras do mundo estão testando permite antecipar o que deve chegar às cidades brasileiras nos próximos anos, das áreas de entretenimento imersivo às experiências de compra que misturam tecnologia e atendimento presencial. Mais do que uma corrida por metros quadrados, o que está em jogo é a capacidade de cada shopping, gigante ou não, de justificar por que vale a pena sair de casa para visitá-lo.
Fontes consultadas:
https://portalbras.com.br/maiores-shopping-do-mundo-descubra/
https://diariodaregiao.com.br/variedades/maior-shopping-do-mundo-com-12-mil-lojas-atende-80-milhoes-de-pessoas-por-ano-em-seus-11-milhao-de-m%C2%B2/
https://centraldovarejo.com.br/maior-shopping-do-mundo-o-que-os-maiores-malls-do-planeta-ensinam-ao-varejo/
https://centraldovarejo.com.br/maiores-shoppings-do-brasil-centros-de-consumo-e-experiencia-no-varejo/
https://revistashoppingcenters.com.br/america-latina/conheca-os-maiores-shoppings-da-america-latina/
https://exame.com/marketing/nrf-2026-10-tendencias-e-previsoes-que-vao-moldar-o-varejo-em-2026/
https://ejfgv.com/blog/gestao/lojas-fisicas/
