As vendas no varejo brasileiro recuaram 0,8% em julho de 2026, na comparação com junho, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 15 de setembro e interrompeu a alta de 0,3% registrada no mês anterior.
A retração também levou a média móvel trimestral do comércio a uma variação negativa de 0,1%. Apesar do desempenho mensal, os indicadores acumulados ainda permanecem positivos. Na comparação com julho de 2025, o volume de vendas cresceu 1,2%. No acumulado de janeiro a julho de 2026, a alta foi de 1,8%, enquanto o avanço em 12 meses ficou em 1,6%.
Quais setores mais recuaram
O resultado negativo atingiu cinco dos oito segmentos pesquisados pelo IBGE. A maior queda foi observada em móveis e eletrodomésticos, com retração de 4,9% na passagem de junho para julho. O segmento reúne categorias associadas a compras de maior valor e aparece como o principal responsável pelo recuo entre os grupos destacados na pesquisa.
Na sequência, vieram livros, jornais, revistas e papelaria, com queda de 4,2%, e tecidos, vestuário e calçados, que registraram baixa de 2,7%. Outros artigos de uso pessoal e doméstico recuaram 2,2%. Já o grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentou variação negativa mais moderada, de 0,2%.
Os dados mostram que a retração de julho não ficou concentrada em uma única categoria de consumo. Produtos para a casa, itens de leitura e papelaria, vestuário e bens de uso cotidiano tiveram resultados diferentes, mas contribuíram para o desempenho mensal negativo do varejo brasileiro.
Farmácias, informática e combustíveis avançam
Três segmentos caminharam na direção oposta. As vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresceram 0,6% em julho. Equipamentos de escritório, informática e comunicação também registraram alta de 0,6%, enquanto combustíveis e lubrificantes avançaram 0,3%.
Essa diferença entre os setores ajuda a explicar por que o resultado geral não deve ser interpretado como uma queda uniforme em todas as áreas do comércio. O volume vendido diminuiu no conjunto da pesquisa, mas algumas categorias mantiveram crescimento na comparação mensal.
Recuo alcançou 20 unidades da Federação
O movimento negativo também teve alcance regional. Segundo a repercussão dos dados do IBGE publicada pela Reuters no UOL, as vendas caíram em 20 das 27 unidades da Federação na passagem de junho para julho.
A abrangência do recuo indica que o resultado mensal foi disseminado pelo país, embora os dados apresentados não signifiquem que todas as regiões tenham registrado a mesma intensidade de queda. Para o consumidor, a leitura mais segura é separar o desempenho de um mês dos indicadores de prazo mais longo, que ainda apontam crescimento no varejo.
Varejo desacelera, mas não entra necessariamente em queda estrutural
A combinação dos números mensais e acumulados oferece um quadro de desaceleração, e não necessariamente de retração prolongada. A queda de 0,8% em julho veio após uma alta de 0,3% em junho, mas o setor ainda apresentou crescimento na comparação anual, no acumulado do ano e no período de 12 meses.
Essa diferença é relevante para interpretar o momento do comércio. Uma variação mensal negativa mostra que o volume vendido foi menor do que no mês anterior, enquanto os acumulados permitem observar a trajetória em intervalos mais amplos. Por isso, o resultado de julho sinaliza perda de ritmo, mas não elimina o crescimento registrado desde o início de 2026.
Confiança do comércio teve leve melhora
Outro indicador divulgado pelo Ministério da Fazenda, com base em dados da FGV IBRE, apresentou uma leitura um pouco mais favorável sobre as expectativas do setor. Em julho, o Índice de Confiança do Comércio do Varejo Ampliado subiu 0,4 ponto, para 85,5 pontos.
O índice de expectativas avançou para 86,5 pontos. O contraste entre a queda das vendas no mês e a melhora moderada da confiança mostra que o desempenho corrente e a percepção sobre os próximos períodos não caminharam exatamente na mesma direção. Para empresas e consumidores, os dados recomendam acompanhar tanto a evolução das vendas quanto as expectativas do comércio antes de avaliar uma tendência mais duradoura.
